Entidades ajudam Comunidades Quilombolas no Vale do Ribeira
por Luana Lopes
A equipe da MGA – Mineração e Geologia Aplicada junto com a AMAVALES – Associação dos Mineradores de Areia do Vale do Ribeira e Baixada Santista levaram no último dia 10 de setembro inúmeras doações de roupas, sapatos, cobertores, cestas básicas e produtos de higiene pessoal para a Comunidade Quilombola de Sapatu, situada na região de Eldorado, uma das principais áreas atingidas pelas enchentes do Rio Ribeira de Iguape.
A última enchente aconteceu no início de agosto e atingiu cerca de 70% de Eldorado, causando vários danos à população, deixando famílias desabrigadas e dificultando o acesso às cidades próximas. Segundo algumas publicações no mês de agosto, algumas doações chegaram até a cidade de Eldorado, porém não avançaram até a comunidade Sapatu. Algumas pessoas da comunidade ficaram abrigadas em escolas e casas de parentes.
CURIOSIDADE – COMUNIDADE QUILOMBOLA / SAPATU:
Situa-se a 38 km do município de Eldorado. A ocupação do Quilombo de Sapatu deu-se a partir da busca de novas terras por famílias negras oriundas de outras comunidades, além de alianças matrimoniais entre bairros vizinhos: São Pedro, André Lopes e Nhunguara. Zeferino Furquim, filho de João Vieira e Faustina Furquim, teria fixado em Sapatu no final do século XIX. O povoamento nas localidades do Vale do Ribeira deu-se também a partir da fuga frente ao recrutamento dos batalhões diante da Guerra do Paraguai. As redes de sociabilidade entre os bairros foi uma das formas para a continuidade do modo de vida tradicional destas famílias, bem como um modo de assegurar um espaço obtido por meio de herança. Trata-se do estabelecimento das "comunidades em território fixos e relações de aliança entre elas, sobretudo por meio de casamentos intergrupais". (ITESP - FCP/MinC, 2000). |
Coordenador da comunidade Sapatu e monitor da Caverna do Diabo, Josias Moreira, foi um dos atingidos pela enchente. Sua casa, à beira do Rio Ribeira de Iguape, foi atingida pela água e ficou inteiramente submersa. Sua residência abrigava quatro pessoas adultas, “Infelizmente não sobrou mais nada, tive que recomeçar do zero. Minha casa, meus móveis, roupas, comida... tudo!”
Moreira comentou que em 1997 houve uma enchente bem parecida com a deste ano, porém os danos foram menores. A comunidade conta com aproximadamente 85 famílias e a principal renda é a agricultura, artesanato e fábrica que faz doces de banana. “Não temos renda fixa, sobrevivemos com o dinheiro de visitas à caverna e pela agricultura e artesanato. Temos o sonho de montar uma agroindústria de banana, para ampliar a renda das famílias.”
“Moro aqui desde que nasci e por questão de horas vejo tudo acabado, tive que sair rápido com as minhas filhas e a minha mãe de 75 anos. Acredito que não apenas a chuva tenha causado tudo isso, mas a abertura da barragem também. As autoridades poderiam avisar com antecedência a abertura,” conta Moreira.
Segundo uma publicação no site do Diário Grande ABC, a defesa civil informou que no caso de Eldorado houve necessidade de fazer ajustes no documento de avaliação dos danos, o que atrasou o reconhecimento do estado de calamidade pública.


Saiba Mais:
Uma das principais rendas da Comunidade Sapatu é a Caverna do Diabo localizada no município de Eldorado, região sul do Estado de São Paulo, a 292 km da capital. A caverna esta situada no Parque Estadual de Jacupiranga, que abriga grandes extensões de Mata Atlântica. Sua estrutura foi escavada pelas águas dos rios e das chuvas ao longo de milhões de anos. É a maior caverna do estado e considerada uma das mais belas do mundo. Possui estrutura para facilitar o acesso de seus visitantes.