Como anda sua pedreira?
Segurança em pedreiras está diretamente relacionada à condução dos trabalhos de lavra
A experiência adquirida pelos responsáveis pela exploração de pedreiras é uma ótima forma de se prevenir acidentes. Entretanto, só o conhecimento acumulado ao logo dos anos não é suficiente. Os profissionais que atuam no dia a dia precisam também do acompanhamento de um engenheiro de minas que irá orientar sobre o andamento da lavra, orientação esta que poderá minimizar os danos caso ocorram deslizamentos normais ou fenômenos inesperados.
Daí a necessidade de se expandir cada vez mais este conhecimento visando a difusão dos cuidados necessários para se evitar acidentes e um melhor aproveitamento do bem mineral.
Quando a lavra é feita sem o correto sequenciamento fica comprometida a segurança dos profissionais que atuam na frente de lavra e, além disso, muitas vezes é necessário abandonar parte do material a ser aproveitado em razão da falta de segurança no local. Tudo pode ser evitado se for bem trabalhada a questão da estabilidade dos taludes.
A instabilidade em geral é identificada pela presença de água ou umidade na base dos taludes, pela ocorrência de fendas no topo ou por descontinuidades em geral. Quando estes processos de iniciam, em pouco tempo ocorrem os escorregamentos volumosos que poderiam ser prevenidos no método de exploração. Vale lembrar que os deslizamentos menos volumosos são comuns em paredes rochosas. Tratamos, agora, apenas dos deslizamentos de maior volume que comprometem a seguranças no local.
Uma forma de ser evitar estes deslizamentos é cuidar da configuração dos taludes, de forma a deixá-los com geometria apropriada para se manter a estabilidade tanto no clima seco como no úmido.
Outra medida preventiva é a drenagem do local de exploração evitando que se eleve o nível do lençol freático. Umas das técnicas mais econômicas para tanto é a instalação de uma bacia em nível inferior ao piso da extração que permitirá o dimencionamento desta água. Em algumas explorações é adotado o preenchimento de zonas já exploradas com rejeito da extração, buscando a estabilidade local.
Deve ser considerado também o tipo de material que está sendo explorado. Quando a rocha é muito fraturada deve ser feito um correto planejamento antes de iniciar as detonações. O explosivo em emulsão, por exemplo, pode permear por essas descontinuidades fazendo com que se carregue muito além do necessário, causando ultralançamentos, além de instabilidade na bancada.
A engenheira de minhas Thaís Bressa explica que irregularidades no material é comum dependendo de cada rocha. “Estas descontinuidades, preenchidas ou não com outro material, de paredes bem próximas ou bem abertas são comuns na vida das pedreiras. Elas são formadas pela própria atividade geológica e não têm relação com a ação de explosivos como muitos acreditam. A presença de água também é natural, ela está ali infiltrada pelas descontinuidades ou se formou no próprio processo geológico e ficou retida no maciço”.
Ainda de acordo com a engenheira nada disso impede a produção, mas são fatores que devem ser levados em conta na hora do sequenciamento de lavra e principalmente no plano de fogo. É comum, no meio da vida útil de uma pedreira, ter que se modificar a realização dos trabalhos em razão de se ter identificado a ocorrência de outro material, tudo em prol da segurança.
Existem inúmeras formas para minimizar os riscos de deslizamentos, mas a avaliação deve ser feita por um engenheiro de minas que irá analisar o estado da pedreira e sugerir o melhor a ser feito.
O importante é deixar claro que os pequenos deslizamentos são comuns e fazem parte da rotina em uma pedreira, mas os deslizamentos de grandes volumes podem e devem ser prevenidos, sendo necessário que os responsáveis dediquem atenção a estes fenômenos.